23/03/2026
A alta recente dos preços dos combustíveis nos postos é reflexo de um conjunto de fatores que teve início com a guerra no Oriente Médio. A lista inclui cotações mais altas do petróleo, leilões da Petrobras para gasolina e diesel realizados a preços de mercado, acima dos praticados nas refinarias da estatal, e importações de derivados também a valores vinculados ao exterior.
Dados atualizados sobre o monitoramento dos combustíveis, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na sexta-feira (20), mostram que os preços do diesel S-10 subiram 19,51% nas bombas desde o início do conflito no Oriente Médio. Em média, o combustível está sendo vendido a R$ 7,35 por litro ante R$ 6,15% no dia 1º de março, primeiro dia registrado pela agência após o início da guerra no Irã.
Executivos dos segmentos de distribuição e revenda entendem que a Petrobras tem contribuído para a escalada dos preços nas bombas ao promover uma distorção no mercado. Essa distorção estaria no fato de a empresa vender combustíveis a preços defasados nas refinarias em relação ao mercado internacional e, simultaneamente, ter feito leilões com “ágios para as distribuidoras a preços internacionais.
Desde o começo da guerra, a Petrobras só aumentou o diesel uma vez nas refinarias, uma alta de 11,6% no sábado (14), percentual insuficiente diante do aumento do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas, que chegou próximo dos US$ 120 por barril na quinta-feira (19). A Petrobras se defende dizendo que tem antecipado e aumentado volumes de combustível às distribuidoras.
Na visão de executivos da distribuição e revenda, podem ocorrer casos de reajustes abusivos, mas o que a maioria dos atores tem feito é repassar os custos mais elevados dos últimos dias. Também há preocupação em relação a possíveis desabastecimentos.Clique aqui para continuar a leitura.
Autor/Veículo: Valor Econômico