06/04/2023
Fonte: Valor Econômico
A isenção do Imposto de Importação para carros 100% elétricos vai acabar nos próximos meses. Segundo João de Oliveira, presidente da Abeifa, a associação que representa os importadores de veículos, o benefício terminará no segundo semestre.
Não se sabe, no entanto, como se dará o fim da isenção. Caberá ao governo definir se haverá um aumento gradual do tributo, ano a ano, como pedem os importadores, ou se a alíquota subirá, de uma só vez, para 35%, desejo já manifestado por representantes das montadoras que produzem no país.
As mudanças incluirão a categoria de carros híbridos, que tem alíquotas de Imposto de Importação que hoje variam até 7%. A isenção do Imposto de Importação para híbridos e elétricos entrou em vigor há quatro anos como forma de estimular a venda desses veículos no país.
Para Oliveira, a Abeifa é favorável à retomada da tributação. Mas defende um aumento gradual, de dois pontos percentuais ao ano no caso dos 100% elétricos e de até sete pontos nos híbridos. Segundo ele, o mercado brasileiro de elétricos ainda não atingiu volumes expressivos para justificar o fim total da isenção.
“E também não precisamos chegar aos 35% (tarifa cheia para carros importados de países com os quais o Brasil não tem acordos bilaterais de comércio)”, destaca. “Abaixo disso já viabiliza a produção local”, completa Oliveira.
Tanto os importadores como a indústria têm mantido conversas com o governo para fazer valer seus argumentos. “Percebemos que o governo tem o foco ambiental e de indústria, além da exportação e também quer manter a conexão do Brasil com o mundo”, diz Oliveira.
As 14 marcas associadas à Abeifa respondem por 3% do mercado brasileiro total. No entanto, a sua participação nas vendas de híbridos e elétricos alcança 50%. Apesar de a linha híbrida ter produção local, da Toyota e da Caoa Chery, no caso dos 100% elétricos os modelos vendidos no país são todos importados.
A venda de híbridos e elétricos somou 49,2 mil unidades em 2022. Para este ano, Oliveira prevê 70 mil unidades. Desse total, 13 mil seriam 100% elétricos – o tipo de veículo cujas baterias precisam ser carregadas em tomadas. “Se a linha nacional não oferece o que o consumidor quer ele vai buscar no importado”, destaca o dirigente.
Os carros importados registraram desempenho acima do mercado no primeiro trimestre. As marcas associadas à Abeifa, que atuam, na maioria, nas faixas de preços mais elevadas, somaram a venda de 7,6 mil unidades, o que representou aumento de 95,3% na comparação com igual período do ano passado.
Segundo Oliveira, o crescimento se deve à melhora no abastecimento global de semicondutores, o que ajudou atender a uma demanda reprimida. “Nosso segmento também sofre menos com os juros altos porque grande parte das vendas é feita à vista”, destaca o dirigente.
Oliveira afirma, no entanto, que os resultados podem dar “a falsa impressão de que as coisas vão bem”. Mas, os volumes ainda estão abaixo do que eram antes da pandemia. Ele estima um crescimento de 5% no mercado de importados neste ano.
No primeiro trimestre, a Volvo liderou as vendas de importados das marcas representadas pela Abeifa, com fatia de 27,7%, seguida pela Kia (16,7%), Porsche (16%), Caoa Chery (14,4%), BYD (9,4%) e Land Rover (8%).
As marcas importadas têm se destacado no segmento de veículos eletrificados e na linha premium. Mas a maior parte das importações de veículos continua a ser feita pelas próprias montadoras. São essas empresas que trazem a maior parte dos veículos fabricados no Mercosul e no México, regiões com as quais o Brasil tem acordos de intercâmbio.
Na importação do Mercosul e do México não incide Imposto de Importação. No caso do México há limite de cotas. Já nos importados que vem dos demais países, a alíquota é de 35%.
Segundo dados da Abeifa, em 2022, os veículos fabricados no Mercosul, principalmente Argentina, lideraram as importações de carros vendidos no Brasil, com participação de 68,8%. A Europa veio em seguida, com 15,1%, seguida por México (9,8%) e Ásia (4,5%).