31/08/2022
Fonte: Aprix Journal
No Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), lançado no ano passado, 278 cientistas de 65 países mostram que, para que tenhamos a chance de manter ao alcance o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris, o mundo deve atingir o pico de emissões de gases do efeito estufa (GEE) dentro dos próximos três anos.
Para que isso aconteça, é fundamental que empresas e consumidores dentro de mercados responsáveis por grandes quantidades de emissões, como é o caso do setor energético, devem se responsabilizar por atitudes que promovam a redução das emissões sempre que possível.
O Aprix Journal elencou três ações que indicam o rumo da transição energética que aconteceram neste ano. Confira!
Shell prevê investimento de R$ 7 bi em complexos solares em MG
A Shell Energy Brasil, subsidiária da Shell focada em opções renováveis e sustentáveis de energia, assinou um protocolo de intenções com o Governo de Minas Gerais para investimento de aproximadamente R$ 7 bilhões em energia solar. O acordo prevê estudos para instalação de cinco complexos solares nas cidades de Corinto, na região Central, no município de Arinos; em Brasilândia de Minas, no Noroeste; além de Janaúba e Várzea da Palma, no Norte do estado.
Se todas as usinas solares forem construídas, os complexos podem gerar, juntos, até 2,1 GW, o suficiente para abastecer uma cidade de dois milhões de habitantes. As obras devem começar a partir de janeiro de 2023, com previsão do primeiro complexo entrar em operação em janeiro de 2025.
Em 2021, o Grupo Shell firmou publicamente o compromisso global de atingir emissões líquidas zero até 2050, com a meta complementar de redução de emissões absolutas em 50% até 2030 em comparação a 2016.
Frota de eletrificados (com híbridos) no Brasil chega a 100 mil
O Brasil superou, na última semana de julho, a marca histórica de 100 mil veículos eletrificados em circulação, incluindo carros, caminhões e veículos comerciais leves, como vans e furgões. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
A marca foi alcançada no dia 26 de julho, quando a frota eletrificada circulante chegou a 100.292 veículos leves, segundo o acompanhamento diário de emplacamentos feito pela associação.
No acumulado de 2022, as vendas de eletrificados somam 23.033 veículos leves – 31% a mais do que os 17.524 dos sete primeiros meses de 2021. A maior parte (6,5 mil) foi registrada no estado de São Paulo. Em seguida vem Minas Gerais, com 1,9 mil emplacamentos. A conta inclui os híbridos (HEV), híbridos plug-in (PHEV) e os elétricos a bateria (BEV); automóveis, comerciais leves, SUVs e utilitários.
Embora positivos, os números continuam abaixo do potencial do mercado brasileiro de veículos de baixa emissão, analisa Adalberto Maluf, presidente da ABVE. Para o executivo, ainda falta muito para a eletrificação avançar no país. “Precisamos de uma política nacional de eletromobilidade, ou seja, de políticas públicas alinhadas e coordenadas entre o governo federal e os governos estaduais e municipais para incentivar a transição do veículo a combustão para o veículo elétrico”.
Petroleiras apostam em armazenamento de carbono e hidrogênio
A ExxonMobil e outros três produtores de petróleo do Mar do Norte firmaram uma cooperação para captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) offshore em larga escala no projeto L10. As petroleiras planejam compartilhar a infraestrutura existente e ter um projeto pronto até o final do ano para armazenar até cinco milhões de toneladas de gases de efeito estufa em campos na costa holandesa.
Segundo, Lex de Groot, diretor administrativo da Neptune Energy na Holanda, uma das petroleiras envolvidas no projeto, a parceria deve viabilizar uma das maiores instalações de CCS no Mar do Norte. “A reutilização de nossa infraestrutura existente significa que, juntos, podemos ajudar a alcançar as metas climáticas, mas também garantir que essa parte da transição energética se torne mais limpa, barata e rápida”.
Entre as empresas – e o setor de óleo e gás – há um consenso de que o armazenamento de CO2 é fundamental para atingir as metas climáticas. No entanto, o processo ainda é muito caro e vai demandar investimentos trilionários em infraestrutura.
Um estudo da Carbon Management Research Initiative, da Universidade de Columbia, por exemplo, indica que a maioria das rotas de CCS tem um custo estimado de produção 2,5 a 7,5 vezes maior do que o preço de venda do produto.
Segundo as companhias, esta etapa do projeto de captura e armazenamento de carbono tem o potencial de armazenar 4-5 milhões de toneladas de CO2 anualmente para clientes industriais em campos de gás esgotados em torno das áreas operadas pela Neptune. “Representa o primeiro estágio no desenvolvimento potencial da maior área L10 como um reservatório de armazenamento de CO2 de grande volume”, diz o comunicado.