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05/08/2022

A produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF, sigla em inglês) vai precisar de hidrogênio verde como insumo, colocando essa indústria (que ainda não nasceu no Brasil) como mais uma potencial consumidora da nova energia (que também quer despontar por aqui).

“Estamos falando da produção de um combustível que depende fundamentalmente, como uma de suas matérias-primas, de hidrogênio. Se quisermos reduzir a pegada de carbono, precisamos de um hidrogênio verde”, disse na quarta (3/8) o diretor de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Fábio Vinhado.

Fábio participou do encontro organizado pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) para discutir o mercado de hidrogênio verde no estado e as demandas regulatórias.

Enquanto o governo federal discute estratégias para o hidrogênio — sem uma opção de rota tecnológica –, o Ceará avança em acordos com a iniciativa privada para desenvolvimento de um hub no Porto do Pecém, com foco na tecnologia verde, que combina geração elétrica renovável e eletrólise.

Até o momento, o governo estadual já assinou 18 memorandos de cooperação com diferentes agentes de mercado, com o objetivo de produzir e exportar hidrogênio verde a partir do complexo portuário.

No MME, o hidrogênio é abordado em mais de uma frente. Uma delas é o programa Combustível do Futuro, onde a tecnologia aparece em pelo menos três subcomitês: o que trata da bioletrificação com células a combustível etanol, o de PD&I e o de SAF.

Fábio explica que o hidrogênio é um importante insumo na fabricação do SAF pelo processo Fischer-Tropsch, que pode usar tanto biomassa tradicional, quanto capturar CO₂ de fontes limpas e usar hidrogênio para produzir o gás de síntese que dá origem ao querosene sustentável.

O produto, também conhecido como combustível sintético, tem um potencial significativo de redução de emissões, podendo chegar a uma pegada de carbono negativa — mas, para isso, o insumo precisa ser verde.

E é um dos focos da parceria Brasil-Alemanha no ProQR, projeto que aposta nos combustíveis produzidos com energia eólica e solar como uma solução possível para o transporte aéreo atingir suas metas de descarbonização.

Em meados do ano que vem, a Agência Técnica de Cooperação Alemã GIZ e o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) devem inaugurar no Paraná uma planta piloto para produção de SAF a partir de biogás e hidrogênio verde.

“A gente precisa da geração de hidrogênio limpo e não de hidrogênio que venha de fontes fósseis, porque dessa maneira [a aviação] melhora sua participação, reduz emissões de carbono e fica mais aderente aos critérios internacionais de descarbonização”, disse Fábio.Autor/Veículo: Agência EPBR

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