Sindicombustiveis-al

18/01/2022

Fonte: Folha de SP

As vendas de carros elétricos na Europa superaram em dezembro as dos modelos a diesel pela primeira vez, segundo estimativas preliminares.

Mais de 20% dos novos carros vendidos em 18 mercados europeus, incluindo o Reino Unido, eram movidos a bateria, segundo dados coletados para o Financial Times pelo analista de automóveis independente Matthias Schmidt, enquanto os carros a diesel representaram menos de 19% das vendas.

Graças a generosos subsídios na Alemanha e em outros países, assim como à rígida regulamentação adotada em 2020, que obriga os fabricantes europeus a vender mais veículos com baixas emissões, as vendas de elétricos vêm aumentando constantemente.
Veículo elétrico durante recarga de bateria no Shopping Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo
Veículo elétrico durante recarga de bateria no Shopping Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo – Ronny Santos/Folhapress

A tendência se acelerou no quarto trimestre do ano passado, quando a Tesla se mostrou mais capaz que suas rivais de se adaptar aos gargalos no fornecimento de semicondutores, entregando um recorde de 309 mil carros elétricos.

Os fabricantes europeus também aumentaram as vendas de veículos elétricos em dezembro para reduzir sua pegada de carbono em toda a frota e evitar multas de Bruxelas, depois de priorizar a produção de modelos mais rentáveis —principalmente os SUVs altamente poluentes— durante a crise na cadeia de suprimentos.

Em consequência, 176 mil veículos a bateria elétrica foram vendidos na Europa Ocidental durante esse mês —um recorde histórico—, mais de 6% acima do número vendido em dezembro de 2020. Em comparação, quase 160 mil veículos a diesel foram vendidos no último mês de 2021.

As vendas de carros a diesel estão em declínio constante desde que se descobriu que a Volkswagen fraudou testes de emissões de motores instalados em 11 milhões de veículos. Na época, os modelos diesel representavam muito mais da metade dos veículos entregues nos 18 países europeus pesquisados.

“A marcha fúnebre do diesel está tocando sem parar desde setembro de 2015, quando o ‘dieselgate’ foi revelado —fazendo a VW traçar os primeiros planos do ID.3, 30 dias depois do estouro do escândalo”, disse Schmidt, referindo-se ao principal veículo elétrico da marca, que é vendido desde 2020.

A Volkswagen manteve sua posição como maior produtora de veículos elétricos na Europa ocidental no ano passado, vendendo mais de 310 mil carros movidos a bateria na região em 2021, do total de 3,5 milhões.

Enquanto diversos novos modelos elétricos atraíram novos consumidores, as proibições de veículos a diesel mais antigos em algumas cidades e maiores impostos para o diesel em mercados-chave tinham prejudicado ainda mais as vendas de carros a diesel, acrescentou Schmidt.

O valor de revenda dos veículos a diesel na Alemanha —o maior mercado de automóveis da Europa— também é incerto, pois o novo governo de coalizão indicou sua intenção de rever os subsídios fiscais para o combustível, que atualmente tornam o diesel cerca de 14% mais barato por litro que a gasolina premium.

Categories: noticias