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25/11/2021

Quase 60 usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul encerraram suas operações desta safra (2021/22) na primeira quinzena deste mês, o que diminuiu o ritmo de produção de açúcar e etanol. Segundo dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), a moagem de cana no Centro-Sul ficou em 12,6 milhões de toneladas na quinzena, volume 38,4% menor que o do mesmo período da safra passada. Com isso, no acumulado da temporada, o processamento de cana acumula uma quebra de 11,8%, a 517 milhões de toneladas.

Com o resultado, a expectativa da Unica é de que a moagem de cana ultrapasse as 520 milhões de toneladas que vinham sendo projetadas. “As empresas que encerraram a safra na primeira quinzena de novembro apresentaram redução de moagem de 15,1% em comparação com os valores registrados no último ciclo agrícola”, disse Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, em nota.

A produção de açúcar na última quinzena ficou em 626 mil toneladas, ampliando para 31,8 milhões de toneladas o volume acumulado. Em relação ao mesmo período da safra passada, a fabricação do adoçante está 15,4% menor, ou 5,8 milhões de toneladas a menos.

O volume de etanol produzido na última quinzena, tanto do anidro quanto do hidratado, também caiu na casa dos dois dígitos. Com isso, a produção de etanol hidratado desta safra até o fim da última quinzena alcançava 15,4 bilhões de litros, 19,8% a menos do que no mesmo período da safra passada.
A produção de etanol anidro, por sua vez, somava 10,4 bilhões de litros, 14,8% a mais do que um ano atrás.

O diretor da Unica ressaltou que as usinas priorizaram a produção do etanol anidro nesta safra, em detrimento dos demais produtos. “O setor tem priorizado a produção de etanol anidro e, a despeito da queda expressiva na moagem, a fabricação do renovável tem apresentado crescimento próximo de 15%. Ao mesmo tempo, a despeito da queda expressiva no consumo de etanol hidratado, a fim de garantir o abastecimento deste mercado, os produtores do Centro-Sul deixaram de fabricar mais de 1,5 milhões de toneladas de açúcar para produção deste biocombustível”, afirmou.

Caem as vendas de etanol

As vendas de etanol feitas pelas usinas do Centro-Sul tiveram uma retração expressiva na primeira quinzena de novembro. O declínio foi puxado pela queda do consumo do etanol hidratado no mercado interno, que vem perdendo força com a baixa competitividade e o enfraquecimento das vendas do ciclo Otto.

De acordo com a Unica, foram vendidos 988,2 milhões de litros de etanol na primeira metade do mês, uma queda de 25,6% ante o mesmo período da safra passada. Desse volume, 538,8 milhões de litros foram de etanol hidratado para o mercado doméstico, ou 32% a menos que na safra passada. Já as vendas de etanol anidro continuaram mais elevadas do que no passado e somaram 405,5 milhões de litros na quinzena, alta de 2,8%.

A dinâmica de mercado observada nas últimas quinzenas já era esperada. A perda de competitividade econômica do etanol hidratado tem diminuído o consumo do renovável e já equacionou o equilíbrio de oferta e demanda. Essa condição, associada ao menor consumo de combustíveis leves, reduziu sucessivamente o valor do hidratado recebido pelos produtores nas últimas três semanas”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues.

Segundo ele, “a queda de preço do etanol hidratado também tem reduzido o valor do etanol anidro, pois os contratos de venda do produto vinculam o seu preço aqueles praticados para o hidratado. Essa condição indica que o aditivo pode contribuir para a redução do preço da gasolina e, em termos de volume, temos condição de atender a migração para o consumo de gasolina com os estoques de anidro nos produtores, com a produção a ser realizada até março e com a importação do biocombustível que vem sendo observada”.
Autor/Veículo: Valor Econômico

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