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Mesmo com tendência à desvalorização do dólar, Petrobras ainda pode fazer novos reajustes; álcool varia de R$ 5,39 a R$ 5,59 em território alagoano

Em Alagoas, o preço do litro da gasolina comum pode chegar a R$ 6,398 nas bombas de combustíveis dos postos, como resultado de mais um aumento nas refinarias do Brasil. De acordo com a economista e professora Natália Olivindo, o preço internacional tem subido mesmo com a tendência a desvalorização do dólar nos últimos dias e a Petrobras ainda pode fazer novos reajustes.

O litro do álcool varia de R$ 5,394 a 5,598 em território alagoano; a gasolina aditivada está disponível nos postos dos municípios do estado por até R$ 6,697. Já o Gás Natural Veicular (GNV) pode chegar a 4,199. Os números são da Síntese dos Preços Praticados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no período de 11/07/2021 a 17/07/2021.

Segundo Natália Olivindo, o aumento no preço dos combustíveis está associado principalmente ao cenário externo com a alta do preço internacional dos barris de petróleo, tendo em vista a disputa entre os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP pela definição das quantidades produzidas, que se agravou com a pandemia por Covid-19, e a relação da cotação desse produto com o dólar, tem gerado efeitos em todo o mundo.

BRENT

“O petróleo Brent utilizado pela Petrobras como referência, por exemplo, acumula altas constantes nos últimos 12 meses. No Brasil, o consumidor sente bastante porque a Petrobras repassa automaticamente o aumento pago por ela, aumentando o preço em toda cadeia produtiva”, disse.

Natália Olivindo lembrou ainda que o valor pago pelo consumidor inclui a realização da Petrobrás, isto é, o custo da adoção de etanol, os custos e as margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores, além dos impostos federais e estaduais devidos.

“E não é só o combustível em si que fica mais caro, mas todas as atividades relacionadas e o custo de transporte de produtos, incluindo os que compõem a cesta básica do brasileiro, aumentando a inflação e encarecendo assim, a qualidade de vida da população”, observou a economista.

O presidente da Associação dos Profissionais do Táxi de Maceió (Asprotam), Everaldo da Rocha Santos Júnior, disse que não é somente a gasolina que encareceu, mas também o GNV muito usado pelos profissionais da bandeira dois, o que afetou consideravelmente a renda deles.

“A Asprotam e a sociedade em geral está pagando muito alto pelos combustíveis, principalmente os taxistas que abastecem com o GNV várias vezes diariamente. Realmente está ficando inviável fazer a conversão do combustível original para o GNV. Não temos mais nenhum incentivo para usar o GNV”, ressaltou.

“Nenhuma entidade pode aumentar o valor da tarifa do táxi. O reajuste é deliberado pelo Conselho Consultivo da SMTT (Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito). O ideal seria um desconto real para os taxistas”, frisou Everaldo Júnior.

Preço final na bomba é do revendedor

Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Alagoas (Sindicombustíveis-AL) disse que não acompanha os preços dos combustíveis e a decisão do preço final na bomba cabe a cada revendedor, bem como a entidade não tem como precisar a que se deve os reajustes realizados no estado.

LIVRE MERCADO

“O Sindicombustíveis-AL informa que o mercado da revenda de combustíveis é completamente livre; que a entidade não possui ingerência sobre os preços praticados pelos postos de combustíveis; que o sindicato não acompanha os preços praticados pelos postos de combustíveis; que não opina e nem interfere em questões relacionadas a preços de combustíveis; que o Sindicombustíveis-AL preza pela livre concorrência e pela livre iniciativa e repudia qualquer prática contrária a tais valores.

A missão do Sindicombustíveis-AL é defender os legítimos interesses coletivos da categoria econômica que representa.

O Sindicombustíveis-AL ressalta ainda que os preços são livres em todas as etapas (produção, distribuição e revenda), cabendo aos agentes determinar seus preços com base em suas estruturas de custo.”
44% do preço do combustível é relativo à carga tributária

A professora de matemática, Natercia Lopes, disse que a alta dos preços dos combustíveis é explicada pelo aumento no preço dos impostos. Enquanto os países desenvolvidos 23% da arrecadação vem da taxação de bens e serviços, no Brasil esse valor chega a quase 50%.

“Quase metade (44%) do preço da gasolina, por exemplo, é imposto. Incide neste imposto a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e PIS (Programa de Integração Social). Sobre os combustíveis, há os derivados do Petróleo (diesel e gasolina) e da cana-de-açúcar (álcool)”, lembrou.

Segundo o Fecombustíveis, a carga tributária dos combustíveis por estado, que detalha os tributos federais e estaduais, mostra que o total de tributos, por exemplo, sobre a Gasolina C em Alagoas é de R$ 2,447, o Etanol R$ 1,554 e o diesel S-500 R$ 1,205.

“Nas refinarias o reajuste passa dos 40%, devido à alta no dólar e petróleo, mesmo o álcool sendo um combustível utilizado e produzido no Brasil, esse aumento é explicado pelo impulsionamento do Petróleo, desvalorização do real, reajuste no preço do açúcar”, salientou.

Jamesson Souza, presidente da UNITTUR – União dos Transportadores Turísticos do Estado de Alagoas mencionou que nem de longe a entidade pensa em reajustar a tarifa das viagens e disse que por conta da pandemia e quadra chuvosa no estado, os turistas têm preferido permanecer dentro do hotel.

“O Vento e o frio desanimam o turista e se aumentarmos o valor da viagem aí é que para tudo mesmo”, declarou.
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Fonte: Tribuna independente / Ana Paula Omena

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