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04/05/2021

A implantação do cadastro positivo levou a uma queda “economicamente relevante” dos spreads bancários no período de agosto a dezembro do ano passado, de acordo com relatório do Banco Central (BC) enviado ao Congresso Nacional. Os spreads são a diferença entre a taxa final cobrada pelas instituições financeiras e o custo de captação desses recursos.

A autoridade monetária destaca no relatório, no caso do crédito pessoal não consignado, uma diferença de 10,4% no spread cobrado dos usuários com pontuação no cadastro positivo e aqueles sem pontuação. Essa diferença equivale a 31 pontos percentuais, “quando considerada a taxa de juros média de 299% ao ano observada nessa amostra de operações”.

No caso dos tomadores que tiveram melhora em sua nota no período, a diferença é ainda maior, de 15,9%, o equivalente a 40 pontos percentuais.

“A relação entre taxa de juros e scores mostram evidência de que as informações provenientes do cadastro positivo provavelmente levaram a uma queda, em média, das taxas juros para clientes novos de operações de empréstimo pessoal”, disse.

Lei aprovada em 2019 estabeleceu a inclusão automática dos dados no cadastro positivo. Se querem retirar esses dados, as empresas e pessoas físicas precisam fazer uma solicitação formal. Até então, o sistema funcionava de forma oposta: os tomadores de empréstimos precisavam pedir formalmente para serem incluídos. A mudança foi defendida pelo BC como maneira de diminuir os spreads.

Mas o BC reconheceu que o processo de implantação do cadastro “está incompleto”. “Ainda faltam as informações de prestadores de serviços continuados de telecomunicações, além de grande parte das informações provenientes de outras fontes, tais como prestadores de serviços de eletricidade e de gás”, disse.
Autor/Veículo: Valor Econômico

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