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14/02/2020

Fonte: Valor Econômico

A demanda por petróleo deverá crescer neste ano à menor taxa anual desde 2011, devido à epidemia do coronavírus, que está afetando o consumo chinês e a economia mundial. É o que diz a Agência Internacional de Energia (AIE).

Uma contração trimestral na demanda por petróleo, que seria a primeira desde a crise financeira mundial de 2008-2009, deverá levar a um crescimento anual mais fraco – uma queda de 30% em relação às estimativas anteriores.

No seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo, a AIE, sediado em Paris, estimou que a demanda em 2020 crescerá em 825 mil barris/dia, contra a estimativa inicial de 1,2 milhão de barris/dia.

“As consequências do Covid-19 [o coronavírus] para a demanda mundial de petróleo serão significativas”, disse ontem a AIE.

Na China, o maior importador global de petróleo, milhões de pessoas estão de quarentena, transporte e serviços estão paralisados e a atividade industrial sofreu um duro golpe. “A crise está em andamento e neste estágio é difícil precisar seu impacto”, disse a AIE.

Mas há “poucas dúvidas”, acrescentou, de que os efeitos sobre a economia e a demanda por petróleo serão bem maiores que os do surto de sars em 2003, em razão da maneira como a China se integrou à economia mundial. No ano passado, o país respondeu por mais de três quartos do crescimento da demanda mundial por petróleo.

O golpe nos preços do petróleo já é grande, e produtores globais estão discutindo se adotam ações conjuntas. O preço do petróleo do tipo Brent caiu do patamar de quase US$ 69 o barril, em janeiro, para cerca de US$ 56 ontem.

Antes do surto, os países exportadores de petróleo já se mostravam preocupados com uma oferta excessiva no primeiro semestre de 2020, por causa do aumento da produção nos EUA, Brasil, Canadá e Noruega, que iria superar a produção dos países da Opep.

As novas estimativas sugerem que esse excesso poderá ser ainda maior, apesar do corte de produção de 1,7 milhão de barris/dia acertado pela Opep e aliados e que vigora desde o começo do ano.

A AIE disse que, neste primeiro trimestre, o mundo necessitaria de apenas 27,2 milhões de barris/dia dos países da Opep – bem menos que a produção de janeiro do cartel, de 28,9 milhões de barris.

Um conselho consultivo da Opep concluiu na semana passada que os produtores deverão fazer um corte na oferta de 2,7 milhões de barris/dia no primeiro semestre de 2020. Cortes maiores ainda exigiriam o apoio da Rússia, que faz parte de uma aliança petrolífera mais ampla e que até agora vem relutando em aceitar novas reduções.

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