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Portal Exame

João Villaverde*

A equipe econômica do governo federal admite que, se há desequilíbrios na economia, eles são resultados “inevitáveis, mas transitórios” das grandes transformações produzidas pela gestão Dilma Rousseff.

Ao Estado, uma fonte graduada da área econômica cita a radical mudança na trajetória da taxa de câmbio, que deixou de se valorizar ante o dólar e passou, desde o ano passado, a se desvalorizar rapidamente. Desde o fim de 2012, o dólar está praticamente fixo, no patamar de R$ 2.

Ao mesmo tempo, o governo trabalhou para reduzir fortemente a taxa básica de juros. “Hoje, se o Banco Central elevar os juros em 2 pontos porcentuais, a Selic ainda será de um dígito”, disse o economista.

No Palácio do Planalto, a visão é que há um novo ambiente macroeconômico, totalmente diferente do que vigorou entre 1994 e 2011, que combinou taxas de juros de dois dígitos e real valorizado – com raras exceções para os anos de 1999 e 2002-2003, quando o câmbio se desvalorizou após a explosão de crises internas.

Novo normal

Essa nova “matriz macroeconômica”, como define o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi inaugurada em 2012, quando eclodia a crise na União Europeia. Segundo o governo, muitos desequilíbrios atuais “podem” ser resultado desse “novo normal”. O déficit comercial verificado até agora em 2013, por exemplo, estaria ocorrendo, principalmente, por causa do enfraquecimento dos mercados mais ricos e das políticas protecionistas adotadas por parceiros comerciais.

Mas há desconfortos entre os técnicos do governo com desdobramentos microeconômicos de decisões de Brasília. O caso mais citado é o setor de combustíveis. A decisão de subsidiar a gasolina vendida pelos postos no Brasil, desde que o preço do petróleo voltou a subir no mercado internacional, a partir de 2010, acabou desestimulando o consumo de etanol.

Ao mesmo tempo, o consumo aumentou muito – resultado das sucessivas políticas de estímulo à produção e venda de carros novos. Desde o ano passado, principalmente, os motoristas têm abastecido seus carros com gasolina, e cada vez menos com álcool.

Interferência

Diante da dificuldade para refinar petróleo na velocidade necessária para distribuir gasolina, a Petrobrás foi forçada a elevar as importações do combustível, e a diferença de preços entre o mercado doméstico e o exterior aumentou o rombo no caixa da estatal.

Para corrigir o desequilíbrio, o governo reajustou os preços da gasolina e do óleo diesel no fim de janeiro, mas ainda levou quase quatro meses para anunciar um pacote para estimular o setor sucroalcooleiro. Após o lançamento das medidas, os próprios empresários afirmaram que “o problema do setor de etanol ainda é muito maior”.

Hoje, técnicos do governo entendem que a gasolina precisa de novo reajuste, de 5%, e o etanol de novos incentivos, mas um aumento ou um pacote adicional de alívio tributário estão descartados.

*O Estado de S. Paulo

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