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Valor Econômico
 
Leandra Peres e Edna Simã;o
 
O aumento da inflaçã;o acrescentou um novo componente &agraves discussões oficiais sobre as desonerações tributárias: que impostos podem ser reduzidos e ao mesmo tempo baixar preços.
 
Oficialmente, a área econômica insiste que as desonerações tributárias tratam de aumentar a competitividade da economia brasileira. Reconhece, no entanto, que há um efeito de curto prazo sobre a inflaçã;o.
 
O peso de um e outro, no entanto, pode ser demonstrado na frase de um integrante da área econômica: "Manter o IPI reduzido para automóveis pode até nã;o ajudar muito, mas para que o governo iria atrapalhar?"
 
O governo aceitou abrir mã;o de R$ 2,2 bilhões em arrecadaçã;o neste ano para evitar qualquer pressã;o altista. Já há sinais de que o mesmo será feito no caso do IPI da linha branca, que vence no meio do ano. A lista de desonerações feitas inclui só no IPI material de construçã;o, bens de capital e até papel de parede, entre outros.
 
Em outros casos, a decisã;o do governo será muito mais de natureza fiscal. A reduçã;o da Cide- combustível, por exemplo, nã;o tem data para acabar. Neste ano custará R$ 11,37 bilhões. No momento em que decidir retomar a cobrança, se isso acontecer, o preço dos combustíveis sobe e a inflaçã;o vai junto.
 
Na área econômica, há uma clara percepçã;o de que a renovaçã;o do IPI reduzido para automóveis nã;o será um estímulo tã;o forte &agraves vendas como em 2012, mas a avaliaçã;o é de que a situaçã;o neste ano poderia piorar com a tributaçã;o mais elevada.
 
Há também um estoque de alternativas em estudo pelo governo que se propõe a unir competitividade e inflaçã;o.
 
O Ministério da Fazenda vem olhando com atençã;o o setor de transportes. O projeto relatado pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que cria um regime especial para o setor de transporte urbano vem sendo citado entre modelos interessantes.
 
A ideia é que governo federal, assim como Estados e municípios, firmem um acordo para desoneraçã;o de impostos, que viabilizaria a queda de preços das tarifas de ônibus, metrô e trens. "Essa desoneraçã;o se refletiria diretamente na tarifa", explicou Zarattini.
 
Esse projeto já foi aprovado na Câ;mara e aguarda apreciaçã;o, em caráter terminativo, na Comissã;o de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
 
Outros pleitos ganham força neste contexto. No mês passado, segundo o diretor da Associaçã;o Brasileira de Supermercados (Abras) Joã;o Carlos Coutinho Devens, houve uma reuniã;o com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para apresentaçã;o das demandas para reduzir o custo das empresas para o uso de cartã;o de crédito, débito e tíquete refeiçã;o e de alimentaçã;o.
 
Hoje deverã;o ser conhecidos os vetos &agrave MP 582, que ampliava a desoneraçã;o da folha para 15 segmentos. Os parlamentares aplicaram o benefício para mais 33 setores e boa parte deve ser vetados pela presidente Dilma Rousseff.

 

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