Sindicombustiveis-al
 
O Estado de S. Paulo
 
Sabrina Valle 
 
A Petrobrás apresentou ontem seu plano de negócios para o período 2013-2017 projetando melhoras nos resultados da companhia a partir do ano que vem. Até 2017, a empresa prevê produzir 750 mil barris/dia de óleo mais, engordando o caixa em cerca de US$ 75 milhões extras por dia. Também produzirá mais diesel, enxugará investimentos em refino, reduzirá &agrave metade a necessidade de captaçã;o externa líquida e, por meio do programa de reduçã;o de custos, espera economizar até R$ 32 bilhões.
 
"Estamos tendo excelentes resultados do ponto de vista de potencial", disse a presidente da estatal, Graça Foster, respondendo, sem citar nomes, a críticas recebidas contra a empresa, alvo de ataque explícito de políticos do PSDB em encontro na semana passada, em Brasília. "Nã;o se justifica a desqualificaçã;o da Petrobrás. Entendo como uma tentativa sem fundamento técnico e econômico."
 
Foi uma mudança de tom em relaçã;o ao choque de realismo introduzido por Graça desde que assumiu, há um ano. Mesmo sem desconsiderar 2013 como um ano difícil, com previsã;o de 185 paradas para manutençã;o em plataformas, ontem Graça disse que estã;o dadas as condições para o crescimento.
 
"A produçã;o está dada. Sã;o 300 mil barris por dia (no pré-sal)", comentou. Com isso, deixou para trás o negativo ano de 2012 e incluiu em seu plano quinquenal o que entende por promissor ano de 2017. "Trocamos o ano de 2012 pelo ano de 2017, com mais óleo", disse Graça.
 
Produçã;o. A prioridade será a produçã;o de petróleo e gás. Serã;o US$ 75 bilhões apenas para construçã;o de poços até 2017. Os US$ 236,7 bilhões em investimentos previstos vã;o ser concentrados em 2013 e 2014, informou a companhia.
 
O Credit Suisse divulgou na segunda-feira, em relatório, que os dados do novo plano apontam para uma reduçã;o na defasagem de preços da companhia em relaçã;o ao mercado internacional. Segundo o Credit, para atingir os níveis previstos de geraçã;o de caixa até 2017, a Petrobrás terá de aumentar em US$ 13 o preço do barril de gasolina e de diesel vendido no Brasil.
 
"Nos mostra que o conselho da empresa está comprometido com uma paridade de preços domésticos e internacionais", disseram os analistas Emerson Leite, Andre Sobreira e Vinicius Canheu.
 
Graça manteve a meta de convergência de preços com o mercado internacional e comemorou os quatro reajustes de diesel, somando 21,9%, e dois na gasolina, somando 14,9%, conquistados nos últimos nove meses.
 
Em junho do ano passado, a companhia pedira um aumento de 15% em ambos para conseguir financiar seus planos. "Estou satisfeita", disse, sem querer comentar expectativa sobre aumentos futuros.
 
A reduçã;o do efeito da defasagem de preços teria sido muito maior caso a desvalorizaçã;o do real nã;o tivesse jogado contra, disse Graça. Apenas no ano passado, a variaçã;o cambial foi de 19%, corroendo ganhos que poderiam vir dos reajustes.
 
Outro alívio veio do diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, que garantiu que nã;o estã;o nos planos da empresa fazer uma nova emissã;o de ações. "é um compromisso da diretoria e do conselho de administraçã;o", disse.
 
No entanto, Barbassa também informou que ainda nã;o há data para que a empresa retome o tratamento igualitário no pagamento de dividendos a acionistas. Em fevereiro, a empresa informou a intençã;o de distribuir R$ 0,47 para os detentores de ações ordinárias (com direito a voto) e R$ 0,96 para ações preferenciais, o que provocou forte queda na cotaçã;o dos papéis ordinários. / Colaborou André Magnabosco 
 

 

Categories: noticias