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O Globo

29/11/2019 – A Petrobras decidiu reduzir investimentos em 10% nos próximos cinco anos em relação ao plano em vigor atualmente. O novo Plano Estratégico 2020-2024, aprovado na quarta-feira pelo Conselho de Administração, prevê aportes de US$ 75,7 bilhões. O plano anterior (2019-2023) previa US$ 84,1 bilhões. Segundo fontes, chegou a ser discutido umpeque no aumento, podendo se aproximar de US $90 bilhões, mas os conselheiros concordaram com aposição do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, de reforçara redução da dívida.
A Petrobras quer reduzira dívida bruta dos atuais US $90 bilhões para US$ 60 bilhões até 2021. Para isso, prevê ainda maior agressividade na venda de ativos, de refinarias a campos maduros, que pode chegar a US$ 30 bilhões até 2024. Neste ano, a estatal já vendeu US$ 15 bilhões em negócios, incluindo o controle de subsidiárias como a BR Distribuidora. Ontem, assinou a venda de 30% do campo de Frade, na Bacia de Campos, para a Petro Rio por US $100 milhões.
Apesar da redução do volume de investimentos, o comunicado da empresa sobre o plano ontem reforçou o foco nos campos do pré-sal, mais rentáveis, aumentando a concentração dos aportes em exploração e produção de petróleo e gás. A área ficou com 85% do total, US$ 64,3 bilhões, pouco abaixo dos R$ 68,8 bilhões do plano anterior (81% do total). O mercado esperava aporte maior nessa área por causa da aquisição de blocos nos últimos dois leilões do pré-sal, mas optou-se por “uma sintonia fina nos números antigos, garantindo-se também a redução da dívida”, como explicou uma fonte próxima à empresa.
O mercado reagiu mal ao plano no início da manhã. As ações preferenciais da estatal iniciaram o dia em queda, mas no fechamento da Bolsa, os papéis tiveram leve alta de 0,68% nas preferenciais e de 0,45% nas ordinárias (ON). Um dos fatores de frustração foi a meta de produção de 2,7 milhões de barris diários em 2020, um pouco inferior à de 2,8 milhões do plano anterior. Para 2024, o plano prevê alcançar 3,5 milhões de barris diários.
Em relatório, o BTG Pactual avaliou que, embora no longo prazo seja positivo o incremento na produção, a Petrobras trouxe “metas decepcionantes” no curto prazo. O Credit Suisse foi na mesma linha, mas analistas desses bancos e de outras instituições consideraram positivo o foco no présal e na redução de dívida.
— O plano foi bom, em linha com o que esperávamos. A companhia está no caminho certo —avaliou Luiz Carvalho, analista do UBS.
Para Pedro Galdi, analista da corretora Mirae Asset, o plano é coerente com a estratégia adotada por Castello Branco :
— O conservadorismo é importante para arrumar a casa.

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