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O Globo

11/10/2019 – Apesar de apenas 12 dos 36 blocos ofertados terem sido arrematados, o leilão de áreas de exploração de petróleo rendeu a arrecadação recorde de R $8,9 bilhões, com ágio de 322,7% sobre o preço mínimo estabelecido pela ANP. Por questão ambiental, não houve interessados em sete áreas na costa da Bahia.

Mesmo com apenas um terço dos blocos ofertados arrematados e participação tímida da Petrobras, a 16ª Rodada de Licitações de áreas de exploração da Agência Nacional do Petróleo (ANP) superou ontem as previsões e arrecado uR $8,9 bilhões. Acifraé recorde em um leilão f orada região dop ré-sal, sob oregim e de concessão, e representa um ágio de 322,7% em relação ao mínimo estabelecido. Para especialistas, foi um termômetro do interesse das petroleiras nos certames marcados para novembro, pelo regime de partilha, no pré-sal. A previsão para a6ª Rodada departi lhaé de R$ 7 bilhões. Já o megaleilão das quatro áreas que concentram o chamado excedente da chamada cessão onerosa deve arrecadar R$ 106,5 bilhões.

No leilão de ontem havia 36 blocos disponíveis, mas apenas 12 foram arrematados por dez empresas, todos nas bacias de Campos e de Santos, no Sudeste. A maioria que não recebeu lances ficava no Nordeste, área que já se sabia ser menos promissora. Pela primeira vez uma questão ambiental influenciou a disputa e deixou sem interessados as sete áreas na costa da Bahia. A oferta deles vinha sendo criticada por ambientalistas por estar a 300 quilômetros da reserva ambiental de Abrolhos. Ativistas fizeramum protesto na portado hotel em que foi realizado o leilão, na Zona Oeste do Rio.

PETROBRAS MAIS MODERADA

Os 12 blocos vendidos foram conquistados por petroleiras de oito países, num reflexo do interesse das estrangeiras por oportunidades no Brasil. Nos leilões do pré-salde 6 e 7 de novembro, aexpec ta tivaé que grandes petroleiras globais, co moas asiáticas, entrem pesado em parceria coma Petrobras, que ontem foi seletiva e levou apenas uma área na Bacia de Campos, em parceria coma britânica BP Energy.

O destaque no leilão de ontem foi a Petronas, petroleira da Malásia que levou três blocos, das quais duas sozinha e uma em consórcio coma francesa Total eaQ PI, doQat ar. Hoje, a Petronas tem só 50% de participação no campo de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos. A americana Chevron levou quatro áreas em parcerias distintas, com Shell, QPI, Wintershall e Repsol. Esta última levou três áreas, das quais duas em consórcio.

A Bacia de Campos, no litoral fluminense, foi a região mais disputada, com ágio médio de 331% na disputa por quatro das 13 áreas oferecidas ali. O destaque foi a área chamada C-M-477, que teve um ágio de 1.744,10% no lance do consórcio entre Petrobras e BP: R$ 2,04 bilhões. Essa foi a única proposta vencedora feita pela estatal brasileira, que tentou ainda outra área, mas não levou. Já a Bacia de Santos teve vendidas apenas duas das 11 áreas disponíveis.

Anderson Dutra, líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG, destaca o apetite das estrangeiras, particularmente das asiáticas, no leilão de ontem. Ele aponta como um dos atrativos o baixo custo de produção no país:

— Isso prova que, com os leilões do pré-sal em novembro, o Brasil vai ganhar um papel de favoritismo. Isso pode atrair o interesse no futuro de empresas indianas e da (saudita) Saudi Aramco, que está em processo de abertura de capital e busca diversificar seu portfólio no mundo.

Andre Araújo, presidente da Shell, que levou dois blocos na Bacia de Campos, também se disse otimista, mas fez mistério sobre a estratégia para os próximos leilões:

— Cada leilão é um leilão. Vamos aguardar. O tempo vai dize renos próximos 30 dias vamos ver o que vai acontecer.

R$ 1,1 TRI EM INVESTIMENTOS

De acordo coma ANP, as 12 áreas arrematadas vão exigira instalação de três a quatro novas plataformas entre Rio e São Paulo. Elas vão produzir entre 400 mile 500 mil barris de petróleo por dia no auge da atividade. A expectativa é de uma geração de R$ 100 bilhões aos cofres públicos em royalties e participações especiais ao longo de 27 anos. O investimento inicial para as áreas adquiridas será de R$ 1,58 bilhão. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse esperar R$ 1,1 trilhão em investimentos ao longo dos contratos e renovou o otimismo para os próximos leilões.

—As expectativas sã opositivas, coma sinalização de empresas internacionais—disse Bento, citando o plano do governo de licitar blocos além das 200 milhas náuticas da costa, no chamado “espelho do pré-sal”, como revelou O GLOBO em julho.—Buscamos ametade colocar o Brasil entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo.

Para Décio Oddone, diretor-geral da ANP, as áreas do pré-sal devem ser mais disputadas porque têm risco menor que as leiloadas ontem, já que são regiões com mais estudos sobre as reservas. No caso das áreas do megaleilão, a Petrobras já fez descobertas (5 a 15 bilhões de barris) e inciou produção.

Para Marcelo de Assis, da consultoria Wood Mackenzie, o alto endividam entoe a disciplina financeira da atual gestão podem explicara moderação da Petrobras no leilão de ontem, mas ressalta que a estatal e outras grandes petroleiras, podem ter se poupado:

—Podem estar se preparando para investimentos maiores nas próximas rodadas.

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